Hoje,
dia 13 de Novembro de 2016 não foi um domingo qualquer no Quilombo São Pedro. A
comunidade celebrou o 36º Aniversário da Associação Quilombo São Pedro e também
os 160 anos de registro do território realizado por Bernardo Furquim, fundador
da comunidade, no Livro de Terras da Paróquia de Xiririca, antigo nome da
Cidade de Eldorado.
O
encontro iniciou-se com um poema recitado pelas jovens Elizete de França Dias e
Vaniely dos Anjos França Dias criado por elas mesmas e intitulado “É dia de
festa!”. Em seguida, o Sr Orides de França, coordenador da Associação deu as
boas vindas a tod@s os convidados e falou da importância da organização para
garantia do território.
Participou também, a Dra Suely Berlanga, advogada que defende os direitos quilombolas e ajudou no processo de organização de várias associações do Vale do Ribeira, relembrou a importância das lutas para inserção dos direitos nas diversas leis hoje essenciais para garantia de direitos. “Hoje, na atual conjuntura política estadual e federal, vários dos direitos adquiridos estão ameaçados”, afirma ela. Já os senhores Benedito Alves da Silva- Ditão e José Rodrigues resgataram um pouco da luta e desafios encontrados no processo de organização das comunidades do Vale do Ribeira antes e, principalmente após promulgação da Constituição Federal, que em seu artigo 68 garante a demarcação de terras para comunidades quilombolas. “Estamos ainda lutando para garantir, de fato, a abolição da escravidão... garantir a nossa liberdade”, afirma ele, sobre o fato de existir legislação que garanta o acesso ao território, no entanto centenas de quilombos pelo Brasil ainda não são nem reconhecidos. Paulo Silvio Pupo, coordenador da Associação Quilombo Ivaporunduva e Frederico Viegas, representante do Instituto Socioambiental- ISA, ressaltaram a importância da organização comunitária por meio do trabalho e luta coletiva para manutenção e sobrevivência das famílias no território.
O senhor Aurico Dias, militante há mais de 40 anos leu a biografia do Senhor Vandir de França, uma das maiores lideranças que contribuiu imensamente para a organização da Associação. Já as crianças da comunidade cantaram e encantaram ao homenagear aos mais velhos com a música composta pela Sra Elvira Morato, da própria comunidade. A letra diz que as “criancinhas do quilombo estão querendo aprender as histórias de antigamente ...para não esquecer” , e concluíram: “não queremos essa ilusão de ir embora pra cidade, aqui temos de tudo vovozinho, o sossego e a liberdade...”, cantaram elas. Assim, ao trazer a memória daqueles que já se foram e estão somente em nossas lembranças e a garra e resistência incorporada também pelos mais jovens, os participantes viram fotos, linha do tempo com acontecimentos marcantes, ouviram relatos dos mais velhos e também de alguns jovens sobre a importância da união para alcançar os objetivos do nosso povo.

Destaque para o discurso de Eliseu de França, 16: “convido a todos os jovens que estão afastados da luta. Vocês não sabem a emoção que é estar no meio de uma manifestação, por exemplo e todos cantarem a mesma música... ali você sabe que não está só na luta”, relata ele. E Izair de França, 83: “Temos que continuar na luta. Isso aqui foram nossos mais velhos que deixaram pra nós... nossos antepassados. Eu sou bisneto de Bernardo Furquim, fundador desta comunidade”, salientou ele emocionado.


