Quilombo São Pedro recebe escola quilombola para estudo de campo
No último dia 10, terça-feira, a Associação Quilombo São Pedro
recebeu um público já conhecido, mas diferente daqueles que
esporadicamente visitam a comunidade: alunos e alunas do 6º ao 9º
ano do Ensino Fundamental II da Escola Estadual Quilombola Maria
Antonia Chules Princesa realizaram estudo de campo vendo na prática
o que tem acesso em sala de aula através dos docentes. Os visitantes
foram recepcionados pelas lideranças no Complexo Comunitário Vandir
de França, centro comunitário que leva o nome de um importante
líder da comunidade das décadas de 1970 a 2000, na luta pelos
direitos territoriais das comunidades. Na ocasião fora relatado
sobre o início da comunidade até os dias atuais; esta originada a
partir da vinda de Bernardo Furquim, a procura do pai dele, e Rosa
Machado, sua esposa, para a região. Lavrinha, como era chamado o
bairro antigamente, surgiu por volta do ano de 1825 e os filhos e
filhas do casal foram se espalhando pelas comunidades de Galvão,
Ivaporunduva, André Lopes, Sapatú, Ostra e Nhunguara. Os alunos
aprenderam também sobre as importâncias do território quilombola e
da organização da comunitária em Associação, visando o
bem comum.
Na comunidade estudantes foram agrupados por salas, acompanhados de
dois docentes e um casal de monitores para realização do roteiro.
As turmas acompanharam o processamento da mandioca para fazer
farinha, iniciando desde a ida a roça para colher o tubérculo, até
o processo final de torra. O processo de socar arroz no pilão
foi outra atividade prática; além disso, os discentes puderam,
ainda, visitar a Casa de memórias, onde conheceram e relembraram
utensílios comumente usados antigamente e alguns até os dias de
hoje como serra de madeira, lampião, ferro de passar roupa, máquina
de costura, gamela e muitos outros. Os grupos também realizaram
visita guiada a Capela de São Pedro, que localiza-se ao centro da
comunidade e carrega importante significado, vistas as histórias
contadas de geração em geração. Ao final das atividades tocaram
instrumentos de percussão do Grupo Cultural Puxirão Bernardo Furquim
e jogaram futebol de campo sob o pôr do sol. Para as próximas
semanas estão previstas as mesmas ações para todo o Ensino Médio.

Essas ações, embora tardias, partem esclusivamente d@s docentes que
lecionam na unidade escolar e também das Gestoras que lá atuam.
Segundo a Diretora Josemira Golvea, “o objetivo é conhecer a
comunidade para agregar ao pedagógico...”, diz. Os projetos têm
se fortalecido nos últimos anos e estão ancoradas nos dispositivos
legais. Eles visam levar pra dentro da escola o conhecimento
tradicional em consonância com o conhecimento científico, e a este
atribuir sentido em sala de aula, mostrando a necessidade de ambos
serem entendidos como fontes convergentes, sem que o segundo valide o
primeiro, como geralmente ocorre quando se trata de conhecimento.
Fotos: Carina Rodrigues, professora de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental II.